quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Ê chuá, chuá ...




Da janela do ônibus observava um cenário pouco comum para essa época do ano. Nuvens tão negras quanto o carvão se avolumavam a perder de vista no horizonte, anunciando a fúria da natureza que estava por vir. Justamente em um dia que por descuido ou talvez vontade própria havia esquecido o guarda-chuva em casa, embora tivesse plena certeza que nem mesmo ele seria capaz de deter o ímpeto puviométrico que estava na iminência de acontecer.
Com minha parada cada vez mais próxima, pensava comigo mesmo, será que seria mais sensato permanecer no coletivo ou encarar uma angustiante caminhada de oito minutos até a proteção do meu lar? O ponto chegou e tomei a decisão de me arriscar e como já era de se esperar, a chuva desaba inclemente sobre mim.
Não havia muito tempo para pensar, tinha que chegar ao local coberto mais próximo pra me abrigar. Dez passos corridos depois, cheguei em uma barraca, completamente apinhada de gente que deve ter pensado o mesmo que eu... Me acotovelando entre tantas pessoas que buscavam se proteger da intempérie, só me restava observar o que se passava na rua.
Vi a chuva cada vez mais intensa transformando as ruas em cursos d'águas, agitados, caudalosos e infectos rios, levando tudo o que via pela frente, enguiçando os carros que insistiam em desafiá-los e congestionando o trânsito de uma cidade completamente despreparada para esse tipo de coisa.
Maldita hora que desci do ônibus...

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